A arte degenerada de Lasar Segall: Perseguição à arte moderna em tempos de guerra
 25/11/2017 a 30/04/2018
No dia 19 de Julho de 1937, o governo alemão, liderado por Adolf Hitler, inaugurou, na cidade de Munique, uma grande exposição de arte moderna com cerca de 650 obras confiscadas dos principais museus públicos do país. O título dado à exposição foi Arte Degenerada (Entartete Kunst) e o seu objetivo era apresentar exemplos de manifestações artísticas condenadas pelo regime nazista. Entre os 112 artistas que tiveram obras exibidas naquela ocasião estavam Marc Chagall, Wassily Kandinsky, Paul Klee, Piet Mondrian e Lasar Segall. A mostra Arte Degenerada teve inúmeros desdobramentos no Brasil e serviu de orientação para a perseguição a artistas modernos que atuavam no país durante o período da Segunda Guerra Mundial.

Lasar Segall
Autorretrato III,1927
Óleo sobre tela.
A obra foi mutilada por um visitante numa exposição em São Paulo, em janeiro de 1928.
Acervo Museu Lasar Segall/Ibram/MinC
Catálogo da exposição “Arte condenada pelo III Reich”, realizada pela Galeria Askanasy em 1945; 48 p. 23,3 x 16,1 x 0,2 cm
Acervo Arquivo Lasar Segall.
Acervo Arquivo Lasar Segall/Ibram/MinC
Lasar Segall
Três cabeças de negros,1929.
Xilogravura sobre papel, 28 x 24 cm, 1929.
Adquirida por Erich Wiese, então diretor do Museu de Belas Artes da Silésia, foi confiscada pelos nazistas em 1937.
Acervo Museu Lasar Segall/Ibram/MinC
Lasar Segall
Eternos Caminhantes, 1919.
Óleo sobre tela, 138 x 184 cm.
Confiscada do Museu de Dresden, participou de várias edições da Exposição de Arte Degenerada.
Acervo Museu Lasar Segall/Ibram/MinC

Fachadas da exposição de arte degenerada em Munique, 1937 (Stadtarchiv München)

Esta exposição, que ora se apresenta, visa rememorar a história de perseguição à arte moderna empreendida pelos nazistas e evidenciar o impacto que suas ideias tiveram no Brasil. A trajetória de Lasar Segall é considerada aqui como exemplar porque o artista teve cerca de 49 obras confiscadas pelo regime nazista, integrou a exposição Arte Degenerada, em 1937, e, além de tudo, sofreu ataques, através da imprensa brasileira, que o acusavam de produzir obras de características degeneradas e de ser um agente de desagregação da cultura local. Assim, o título da exposição - A “arte degenerada” de Lasar Segall - refere-se ao fato de que a obra do artista foi considerada degenerada, não só na Alemanha, como também no Brasil.

Lasar Segall
Jovem Mendiga,1920
Litografia sobre papel, 34 x 17,5 cm.
Publicada na Revista Kündung, de Hamburgo, em 1921, entrou na coleção do Museu de Erfurt, de onde seria confiscada pelos nazistas em 1937.
Acervo Museu Lasar Segall/Ibram/MinC
Lasar Segall conversa com o repórter Dalcídio Jurandir na grande exposição realizada no Museu Nacional de Belas Artes em 1943.
Fotografia de Kurt Klagsbrunn.
Arquivo Kurt Klagsbrunn.
Durante este evento, uma violenta campanha de difamação contra o artista foi desencadeada pelo jornal “A Notícia”. As críticas, muitas das quais apócrifas, o acusavam de degenerado e subversivo, e apontavam com insistência sua origem “russa” e seu caráter “judeu”.
Lasar Segall em seu ateliê, Dresden, 1919.
Acervo Arquivo Fotográfico Lasar Segall/Ibram/MinC
Lasar Segall entre amigos na preparação do Baile de Carnaval da Sociedade Pró-Arte Moderna (SPAM), 1934.
A SPAM seria acusada pelos jornais de fazer parte de um complô internacional que visava dissolver os costumes e desmoralizar a família brasileira.
Acervo Arquivo Fotográfico Lasar Segall/Ibram/MinC
Manifestação antifascista
Manifestação antifascista no Rio de Janeiro, 1945.
Fotografia de Kurt Klagsbrunn.
Arquivo Kurt Klagsbrunn.

Os dois segmentos que compõem esta exposição tomam a trajetória de Lasar Segall como fio condutor. No primeiro são apresentadas obras do artista que estiveram entre aquelas confiscadas pela ação dos nazistas, além da documentação sobre a exposição de Munique. Já o segundo é dedicado às manifestações antifascistas que se realizaram no Brasil na década de 1940. Destaca-se aqui a mostra Arte Condenada pelo Terceiro Reich, organizada por Miécio Askanazy, que exibiu duas obras de Segall, e as fotografias de Kurt Klagsbrunn, sendo quase todas inéditas.

Contribuir para uma reflexão crítica sobre a perseguição à arte moderna no Brasil, com embasamento histórico, é o que pretendem o Museu Lasar Segall e o Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo que idealizaram essa exposição no início do ano de 2015. Diante dos episódios recentes de censura à arte, intolerância à diversidade e acusações infundadas a artistas, curadores e museus, essa exposição ganha uma inesperada atualidade e marca o posicionamento das duas instituições a favor da liberdade de pensamento e expressão. Acreditamos que o conhecimento histórico ainda é um dos melhores antídotos contra a barbárie.

Curadoria : Helouise Costa e Daniel Rincon

Serviço
Abertura: 25 de novembro de 2017 (sábado) às 17h
Período: 25 de novembro de 2017 à 30 de abril de 2018
Horário: diariamente das 11h00 às 19h00 (exceto terças)

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